quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Mariana Teles Declama soneto de Ronaldo Cunha Lima

http://www.4shared.com/audio/gUoYr54m/Mariana_teles.html

Dudu Moraes

Sou um eterno aprendiz
Fã de Dedé, de Diniz,
E Louro do Pajeú...
De verso e boi ando atrás
Usando ou não o Morais
Sou simplesmente Dudu.


Tabira-PE

Kerlle de Magalhães

Um beijo por acidente



Nunca esqueço daquele teu olhar
Que no dia seguinte envergonhado.
No momento, não soube te falar...
Pois, também me sentia tão culpado.

Eu confesso, não soube controlar
Em beijar os teus lábios encarnados
De perigos que deixam a conjugar
Nosso estado de dois embriagados.

Eu sei que tu és mulher casada
E apesar de beijá-la embriagada,
Eu não ligo pra língua desse povo.

Nossa culpa no beijo não é nada.
Se ficares me olhando envergonhada
Quando vamos poder beber de novo?


Recife, 23 de abril de 2008

Vinícius Gregorio

Incompreensão

Não bastasse viver sempre trancado,
Dói no peito o que fez o meu vizinho:
Confinou um pequeno passarinho
Pra viver feito ele, engaiolado...

Num cubículo escondido e abafado
Vive o homem, que acorda bem cedinho
Pra cuidar do seu prisioneirozinho
Que está preso, mas não fez nada errado.

Vive o homem jurando que ele canta,
Mas só ouço sair pela garganta
Gritos secos de dor e de saudade...

Ele jura que o canto é de contente,
Mas só ele não vê que é, claramente,
Um protesto por sua liberdade.


Luciano Pedrosa

Vaqueiro sem a boiada
violeiro sem viola
futebol faltando bola
um torno sem rede armada
meu sertão sem vaquejada
bodega sem freguesia
festival sem cantoria
carirí sem pau-de-arara
tudo isso se compara
ao forró sem ter poesia.

interior sem ter feira
roceiro sem ter enxada
tomar cana sem buxada
um salão sem gafieira
um mastro sem a bandeira
capital sem energia
lavadeira sem bacia
pescador sem sua vara
tudo isso se compara
ao forró sem ter poesia.

um cavalo sem ter sela
vaqueiro sem ter gibão
almoço sem ter feijão
novena sem uma vela
fazenda sem ter cancela
passarim que nunca pia
manhecer sem luz do dia
namorar sem ver a cara
tudo isso se compara
ao forró sem ter poesia.

cangaço sem lampião
Canudos sem Conselheiro
construção sem engenheiro
paraíso sem adão
cadeia sem ter ladrão
escravo sem alforria
carnaval sem ter folia
um museu sem peça rara
tudo isso se compara
ao forró sem ter poesia.

Pajeú sem ter poeta
Paraíba sem monteiro
Ceará sem Juazeiro
mulher sem fazer dieta
ciclista sem bicicleta
beira-mar sem maresia
a Europa sem Turquia
e o Rio sem Guanabara
tudo isso se compara
ao forró sem ter poesia.

um matador sem coragem
uma igreja sem beata
vitória sem passeata
vendedor sem malandragem
deserto sem ter miragem
um curral sem ter "nuvia"
produto sem garantia
floresta sem capivara
tudo isso se compara
ao forró sem ter poesia.

Bahia sem Jorge Amado
o Fernando sem pessoa
Portugal sem ter Lisboa
Reino Unido sem reinado
festa santa sem reizado
um circo sem alegria
votação sem maioria
um tarado sem ter tara
tudo isso se compara
ao forró sem ter poesia.

engenho sem rapadura
carne seca sem farinha
uma granja sem galinha
terreno sem escritura
uma mesa sem fartura
tirano sem tirania
um pote sem ter rudia
revólver que não dispara
tudo isso se compara
ao forró sem ter poesia.

jardim sem um beija flor
uma reza sem rosário
escola sem dicionário
eleição sem eleitor
hospital sem ter doutor
covarde sem covardia
hotel sem hospedaria
um shopping sem coisa cara
tudo isso se compara
ao forró sem ter poesia.

calçada sem ter cadeira
polícia sem ter moral
Recife sem carnaval
açude sem lavadeira
são joão sem ter fogueira
romeiro sem romaria
cabaré sem putaria
divórcio que não separa
tudo isso se compara
ao forró sem ter poesia.

Oricuri-PE

Cícero Moraes

A suprema divindade
Caprichou no seu trabalho
Não deixou serviço falho
Fez com grandiosidade
Construiu com qualidade
Retocou com perfeição
Quem quiser diga que não
Mas afirmo com certeza
Tudo que há de beleza
Deus colocou no sertão.

Faz a caatinga murchar
Quando se acaba a chuva
Sendo a formiga saúva
Sai de casa pra cortar
E alimento armazenar
Para a próxima estação
Tendo a alimentação
Garantida em sua mesa
Tudo que há de beleza
Deus colocou no sertão.

Se a seca nos traz penar
Por vermos mata cinzenta
O sertanejo se aguenta
Sabe como se virar
Come o que tava a guardar
Derradeira produção
E o seu silo de feijão
É sua maior riqueza
Tudo que há de beleza
Deus colocou no sertão.
     
Quando chove em minha terra
A natureza se agita
Cria uma imagem bonita
Matuto o  feijão enterra
Planta lá no pé da serra
Porque é de barro o chão
E ali, a produção
Será maior na grandeza
Tudo que há de beleza
Deus colocou no sertão.

Cobra, sapo e caçote
Aparecem na invernia
Eles não têm simpatia
Porque a cobra dá bote
Se correr ou der pinote
Ela pega à traição
Faz de sua refeição
O  pequeno sem defesa
Tudo que há de beleza
Deus colocou no sertão.

Um céu bonito estrelado
Que não há noutro lugar
Quem observa o luar
Fica logo encantado
Um vaga-lume amostrado
Completa a orquestração
Da bela composição
Do quadro da natureza
Tudo que há de beleza
Deus colocou no sertão.

Mandacaru e facheiro
Agridem com seus espinhos
Mas as aves fazem ninho
Pra se defender ligeiro
Do inimigo traiçoeiro
Que procura refeição
Ele sofre frustração
Que o espinho é a defesa
Tudo que há de beleza
Deus colocou no sertão.

Asa branca e a perdiz
O tiziu e o canário
Sempre alegram o cenário
Junto canta a codorniz
Fazem mata mais feliz
Com sua entonação
Praticando a afinação
Da regente natureza
Tudo que há de beleza
Deus colocou no sertão.

Ver um açude sangrando
Alegra qualquer matuto
Que já fica resoluto
Na pescaria pensando
Vai os compadres chamando
Para fazer o pirão
Tomar cachaça e quentão
Na beirada da represa
Tudo que há de beleza
Deus colocou no sertão.

Uma morena bonita,
Uma cabocla pequena,
Uma galega serena
Com belo laço de fita
Com seu vestido de chita
Fazendo a encenação
Abalando o coração
Do matuto com firmeza
Tudo que há de beleza
Deus colocou no sertão.

      São José do Belmonte/PE

Lima Jr.

Sou 

Sou aquele que sabe apenas que,
Nada sabe além do amor que tem.
Sou mais um nesta ânsia do, porque!
De não ser todo, o todo de alguém.

Sou só um, que partindo ainda a crê
Que não leva pedaços de ninguém,
Mas que leva o dobro do que vê,
No olhar da mulher que lhe quer bem.

Sou em parte, a maior parte que posso
Do amor que um dia foi nosso,
Muito embora menor eu tenha sido.

Sou enfim, nada mais que um trovador,
Inundado por rios de amor
Como carma maior por te nascido.

Lima Júnior

Isabelly Moreira

A minha horta cultiva
A planta da alegria
Hora ri bem animado
Hora chora a agonia
Mas não admite falsos
Que semeiam hipocrisia.

Mariana Teles

Toca a brisa da noite no portão
O cabelo se asanha com o vento
O balanço da rede em movimento
E um rádio tocando uma canção
A saudade arranhando um coração
E a duvida de um sempre,ou nunca mais
Uma lágrima caindo e o vento faz
se espalhar pela face entristecida
eu na rua buscando achar saida
Pra tristeza que a tua falta trás

Faço um verso,misturo com aguardente
Um cinzeiro com as cinzas do veneno
Numa noite sem lua me inveneno
Por não ter o clarão do céu presente
O espelho espelhando em minha frente
A metade de um todo que foi nosso
Eu procuro não ver,mais tem um troço
Pra abrir os meus olhos quando fecho
Sem ter sono,inquieta me remecho
Que dormir sem vc,sei que não posso

Vem o vento,tocar-me bem mais forte
O relogio passando sem medida
Ao meu lado,um copo de bebida
Refletindo o futuro : que é a morte ...
Nele afogo o desgosto,já que a sorte
resolveu repartir nossa união
Te guiando pra outra diração
E deixando meus olhos sem os teus...
De lembrança ?,restou o teu adeus
e a saudade Entopindo o coração.
Soneto Solitário


Um poema escrevi em meu chapéu
Escrevi um poema em meus sapatos
E na roupa escrevi em arranha céu
Este verso com sentimentos natos.

Escrevi outro verso no teu véu
E outros versos compus em teus retratos
E depois o meu verso bem ao léu
Foi chorar por teus atos tão ingratos.

Desde sempre esta lira tão tristonha
Entristece este livro que a componha
Porque não há nós dois pra dar a graça.

Quando alguém quiser ler algum soneto
Este meu não será qualquer seleto
Mas será o mais triste dessa praça.


Recife, 26 de agosto de 2010
Kerlle de Magalhães